Saí hoje de Goa, na carreira das 15.20. Em boa verdade era um bimotor da Kingfisher (companhia que possui um pouco de tudo, de cervejas a aviões eque vai ombreando com a Tata na disputa pelo primeiro lugar do ranking empresarial indiano) que fazia a ligação Goa-Chennai, mas com paragem em todas as estações e apeadeiros. Assim, quando vi que para uma distância relativamente curta, o avião demoraria três horas e meia, logo imaginei que ou o bimotor era mesmo muito lento ou iríamos ter várias paragens. E assim foi - primeiro Mangalore (não confundir com a capital do Hi Tech indiano que dá pelo nome de Bangalore), depois Kozhikode (conhecida em Portugal por Calecute, a tal cidade onde o Vasco da Gama "confraternizou"com o samorim local) e finalmente Kochi ou Cochim, onde me apeei. O avião continuava o seu curso e ainda pararia antes de Chegar a Chennai (antiga Madras ou Madrasta). Apesar das três descolagens e, felizmente, das três aterragens, a viagem até correu bem e o tempo passou-se raazoavelmente depressa, especialmente porque me ia lembrando dos bons dias passsados a percorrer Goa e também, há que ser sincero, porque as companhias de aviação indianas ainda não se renderam ao politicamente correcto e as hospedeiras continuam a ser hospedeiras e não assistentes de bordo. É que uma assistente de bordo é escolhida pelas fantochadas do mérito e da competência, blah, blah, blah, o que dá como resultado que quando fui a Minneapolis, a Northwest tinha um trio de assistentes de bordo que parecia saído de um filme de terror, passado algures entre um sanatório de inválidos e um lar da terceira idade. Um arrastava-se de ponta a ponta do avião, cambalenado entre filas e outra, com as vibrações do avião, abanava de tal forma que a dentadura de cima batia ritmadamente na dentadura de baixo. A terceira tinha, para parafrasear o saudoso sr. Guerra, um ar de catanha pilada, tais eram as rugas. Eu sei que todos têm direito à vida, mas meus senhores poupem-me a certos espectáculos. Clarificadas as águas, é evidente que não sei como são feitos os concursos para a Kingfisher, para a Spice Jet e para as demais companhias indianas, mas não posso deixar de registar que os resultados são muito melhores do que os conseguidos por companhias americanas e europeias. Dá gosto viajar na Emirates e na Gulf Air, mesmo com as jovens engalanadas com um veuzinho, é um descanso para vista entrar num avião da Singapore Airlines ou da Cathay Pacific, mas também é um genuíno prazer andar pelos ares indianos, onde as tarifas são baixas e os corredores dos pássaros de ferro são percorridos por jovens que não são actrizes de Bollywood, mas que estão uns furos acima do que é comum ver-se pelas ruas das cidades indianas. Actrizes e actores de Bollywood que estão em todo o lado, sendo raro abrir a televisão, sem ver referências às mais recentes produções, campanhas publicitárias, escândalos, rumores, etc. A revista de bordo da Kingfisher era totalmente dedicada ao universo dos estúdios indianos e suas produções e o conteúdo anda muito próximo do das nossas revistas de sociedade que encontramos frequentemente nas salas de espera dos consultórios médicos. Olhando com atenção para as histórias e boatos vários, para os filmes e publicidade, uma ideia transparece, elas estão muito acima deles, ou seja, era fácil pegar numa destas actrizes e fazê-la uma vedeta do cinema norte-americano, mas não consigo vislumbrar um único elemento masculino a poder entrar numa grande produção de Hollywood.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
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